Ele é grande, versátil e está com a idade avançada. Costuma variar sua personalidade ao longo do ano e receber grandes nomes da dramaturgia e da música brasileira. É reconhecido por sábios artistas e adorado por simples espectadores. Seu nome é João Caetano, o teatro mais antigo do Rio de Janeiro. Este ano, o velho João completa 195 anos de muitas histórias.
A vinda da côrte portuguesa para o país exigiu inúmeras modernizações, incluindo a criação de um espaço destinado às artes dramáticas. Com o nome de Real Theatro São João, em homenagem à D. João VI, a casa foi inaugurada em 12 de outubro de 1813, com a peça “Juramento de Nunes”, do escritor português Gastão Fausto da Câmara Coutinho. Muitos afirmam que o novo teatro foi erguido com o material e a verba destinados à construção de uma catedral. Segundo os supersticiosos, os cinco incêndios que atingiram o local foram maldições e castigos divinos.
As telhas francesas, os vidros fumê, o piso de granito e as paredes de mármore branco em nada se assemelham com a estrutura erguida em 1813. Além dos incêndios, o teatro foi demolido em 1928, durante a reforma urbana do prefeito Pereira Passos, e foi reinaugurado em 1929. A última modificação da casa foi interna, em 1979. Hoje, a estrutura inclui seis camarins e 1.222 lugares, distribuídos em três pavimentos. O diretor do teatro, Paulo Roberto de Oliveira, orgulha-se do espaço atual. “Eu brinco que embaixo eu tenho um Carlos Gomes, no meio um Gláucio Gil e em cima um Villa-Lobos”.
Depois de mudar de nome duas vezes, também em 1979, o teatro passou a se chamar João Caetano, em homenagem ao ator que mudou a forma de fazer teatro no país. O carioca foi o primeiro a defender a simplicidade da interpretação e a fundar uma companhia de atores nacional. Além de atuar na casa de espetáculos, João Caetano também foi proprietário do local. Em 1916, uma estátua no tamanho real do ator foi instalada em frente ao prédio.
Desde sua primeira inauguração, o lugar foi palco grandes produções teatrais e manifestações políticas fervorosas. O diretor conta que, em 1822, D. Pedro I assistia a um espetáculo no teatro quando foi informado da revolta popular contra “O Dia do Fico”. “Quando foi avisado, D. Pedro fez uma reunião aqui dentro e se dirigiu a sacada para discursar aos manifestantes, que estavam na praça em frente. Tudo aconteceu aqui”, afirma. Já em 1935, o João Caetano foi cenário de um tumulto causado pelo militante do partido Comunista Brasileiro Carlos Lacerda, na leitura do Manifesto da Aliança Libertadora. Nestes 195 anos, o teatro recebeu muitos espetáculos e estrelas. Nomes como Eleonora Duse e Sarah Bernhardt, as grandes atrizes do século XIX; Carmem Miranda; Aracy Côrtes, a dama da Praça XV na década de 50; Bibi Ferreira; Paulo Autran; Chico Anysio; Fernanda Montenegro e Marília Pêra freqüentaram as coxias e camarins do velho João. Músicos como Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Elis Regina, Martinho da Vila, Chico Buarque e Roberto Carlos trouxeram seus talentos para o palco do João Caetano.
Atualmente, a casa de espetáculos é dirigida pela Fundação de Artes Anita Mantuano (FUNARJ), que está ligada à Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro. Para o professor de teatro do Colégio Notre Dame e ator formado pela Escola de Artes Dramáticas da USP (EAD), Henrique Kaladan, o palco do João Caetano é importante não só por sua história de sucesso, mas pela função social que cumpre. “Ele é um teatro popular, leva grandes espetáculos para aqueles que não têm condição de pagar caro por um ingresso. É uma democratização da cultura”.
A idade avançada do grande João parece não ser um obstáculo. Ainda lhe restam muitas personalidades a serem vividas, muitos artistas a serem recebidos e muitos histórias a serem contadas.
Teatro João Caetano
Praça Tiradentes s/n° – Centro
Telefone: 2221-2852
Não é surpresa afirmar que os cursos de comunicação abrigam pessoas de diferentes gostos e estilos. Na PUC-Rio isso não é diferente. Os pilotis, sempre lotados, são característicos desta diversidade. Mas no meio de tanta gente é possível encontrar algumas semelhanças. Muitos dos alunos de Comunicação dividem a vida acadêmica com a paixão por uma arte: o teatro. A maioria busca o curso para ter uma segunda opção de carreira devido às dificuldades encontradas no meio teatral.
Foi pensando em unir esta afinidade que a aluna do 5° período de Comunicação, Marina Provenzano, criou, no final do ano passado, o “Banco de atores da PUC”. O objetivo é cadastrar atores interessados em participar das produções do curso de Cinema. Marina, que também é atriz, afirma que o projeto pretende beneficiar não só os atores como os diretores dos filmes. “Eu via que o pessoal de Projeto de Filme (uma disciplina para os alunos de Cinema) ficava perdido e ia buscar pessoas na UNIRIO e na CAL. Nós temos tantos atores aqui na PUC que não tem essa necessidade”.
Segundo ela, um dos grandes problemas dos diretores é dificuldade de se chegar até um ator e que este se encaixe no perfil procurado. No “Banco” podem ser encontradas pessoas com diferentes perfis e estilos de interpretação.
Todos os alunos, ex-alunos e funcionários da PUC podem se candidatar ao projeto. Apesar de não exigir dos atores o registro profissional de ator, existe um pré-requisito para participar. É necessário ter tido alguma experiência em teatro, TV ou cinema. Além disso, todos os que se cadastrarem terão uma cena de um minuto e meio disponível no Portal PUC-Rio Digital (www.puc-rio.br/puc-riodigital), ainda sem data definida.
Hermes Frederico, professor de Comunicação da PUC-Rio e coordenador da Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), é o responsável pelo projeto e trabalha ao lado de Marina. Para ele, o “Banco de atores” vai ajudar na divulgação do trabalho destes artistas. “Eles serão vistos no Portal. Essa visibilidade permite a escolha para determinados papéis nas produções internas e quem sabe nas produções externas. Diretores de fora vão poder ver esses trabalhos”.
No ano passado, o “Banco de atores da PUC” recebeu 20 fichas de cadastro. Para Marina, a falta de divulgação foi responsável pela baixa procura. Era necessário deixar na Secretaria do Departamento de Comunicação um cadastro com o currículo e duas fotos, uma de rosto e outra de corpo inteiro. Agora, os interessados em se cadastrar devem procurá-la no CTAV (Centro Técnico e Audiovisual), que fica na sala 507 do prédio Kennedy.
O aluno do 7° período de Direito, Gustavo Estefen, é um dos atores cadastrados no “Banco”. Apesar de ainda não ter feito nada através desse cadastro, ele acredita que esta é uma oportunidade de ganhar experiência. “A teoria é muito importante, mas praticar é fundamental”, afirma.
Já a atriz e aluna do 4° período de Publicidade, Claudia Sardinha, também está cadastrada e já fez dois curtas universitários através do “Banco”, além de um teste para um vídeo institucional da universidade. Para ela, todos os atores da universidade deveriam se inscrever. “É uma oportunidade de trabalho. Um amigo da irmã faz cinema aqui e ele diz que sempre que precisa de atores, o meu material chega nas mãos dele. Isso é ótimo, significa que alguém está te vendo”.
Entrar para o teatro foi uma recomendação médica. O menino tímido precisava tratar de uma distração excessiva. A mãe, a cantora Olívia Byington, decidiu colocá-lo no Tablado, de onde ele nunca mais saiu. Hoje, aos 22 anos, Gregório Duvivier faz deste remédio a sua profissão e é considerado uma das novas caras do humor brasileiro.
Elenco de Z.É.
A carreira começou a despontar com a peça “Z.É – Zenas Emprovisadas”, que estreou em 2003 e teve sua décima terceira temporada em maio deste ano. Os fãs do espetáculo formado por Gregório e os amigos Marcelo Adnet, Fernando Caruso e Rafael Queiroga podem respirar aliviados, fará uma apresentação especial em agosto no Vivo Rio, para comemorar os cinco anos da estréia e depois entrará em cartaz no Teatro Oi Casa Grande em outubro. “O Z.É. é um projeto de vida. Estamos em recesso para voltar com força total”, afirma. O jovem ator tem orgulho do trabalho que realiza ao lado dos três amigos e se sente surpreso com o reconhecimento. “A idéia do Z.É. era exatamente fazer o que a gente mais gostava que era ter aula no Tablado, improvisar e brincar. Nunca pensei que isso pudesse agradar tanto as pessoas. É muito bom ver que esse prazer é recíproco. Se não fosse o Tablado eu com certeza não teria entrada para o teatro. E se não fosse o Z.É. eu com certeza não teria me tornado um profissional sabe. Se não fosse o Tablado eu com certeza não teria entrado para o teatro. E se não fosse o Z.É. eu não teria me tornado um profissional”. Em 2004, o grupo teve este reconhecimento reafirmado quando faturou o Prêmio Shell na categoria especial.
Elenco de “O Sistema”
Com o sucesso de Z.É., muitas portas se abriram para Gregório. Participou da série do canal HBO e integrou o elenco da série “O Sistema”, da TV Globo, onde viveu o estiloso Avenarius. Gregório foi o escolhido entre os 50 atores que fizeram o teste e trabalhou com um velho conhecido, o diretor José Lavigne. “Ele já tinha me dirigido no teatro quando eu tinha 15 anos e nos tornamos amigos. Foi uma experiência maravilhosa. Trabalhei com pessoas oriundas do teatro e que eu admiro muito, como o Selton Mello e a Graziella Moretto, que é uma das melhores comediantes do Brasil. Além disso, foi um programa completamente diferente do que se vê na Globo”.
Cartaz do filme “Podecrer”
O ator estreou no cinema em 2007 no filme “Podecrer”, que fala da vida de um grupo de amigos na década de 80. Depois desta experiência, integrou o elenco de “O Diário de Tati”, ao lado de Heloísa Périssé, que estréia este ano. Em janeiro, filmou nos pilotis da PUC o longa “Apenas o fim”, dirigido pelo aluno do 5° período de Cinema da PUC, Matheus Souza. O filme conta a história do casal Antônio (Gregório Duvivier) e Adriana, vivida pela atriz e aluna do 6º período de História Érika Mader. O ator já trabalhou com Érika em “Podecrer” e conheceu Matheus no Tablado. “Foi um trabalho maravilhoso de fazer. O Mateus é um cara muito inteligente. Ele escreveu u m longa sozinho, fez o roteiro, correu atrás de patrocínio e conseguiu, chamou uma galera para fazer todo mundo topou e o resultado foi um longa-metragem feito em menos de 15 dias, com um orçamento baixíssimo. E ele só tem 20 anos. É um exemplo para todo mundo que quer fazer cinema”. A que tudo indica, “Apenas o fim” vai estrear no este ano no Festival do Rio e depois entrará em circuito nacional. Recentemente participou de outros dois filmes que não tem data para estrear, “Á deriva”, de Heitor Dhalia e “Mulher Invisível”, de Claudio Torres.
Cartaz de “Apenas o fim”
Além de trabalhar como ator, Gregório cursa o 8° período de Letras na PUC-Rio. Para ele, a faculdade só complementou a carreira. Depois de formado, ele pretende fazer mestrado. “Eu achei que a faculdade de Letras ia me trazer algo a mais, algo que eu não estava tendo só com o teatro. E realmente foi muito bom. Aqui na PUC eu tive aulas maravilhosa, que me esclareceram muito, até como ator”. Gregório é um dos alunos que assinam o jornal de literatura e poesia “Plástico Bolha”.
Para Gregório, a falta de hábito de ir ao teatro é a principal dificuldade da profissão. Em todas as temporadas de Z.É., os integrantes incentivaram o público à assistir outras peças. “Ao mesmo tempo em que queremos formar o nosso público, a gente quer formar um público que vai ao teatro”.
Gregório Duvivier e Érika Mader
Em julho, Gregório estréia no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea, a comédia “Advocacia segundo os irmãos Marx”. Além do ator, os outros três integrantes de Z.É., Heloísa Périssé e Roberto Guilherme, mais conhecido como Sargento Pincel do programa dos Trapalhões. A direção é de Bernardo Jablonski.
Ao ser perguntado sobre os planos para o futuro, Gregório é enfático: “Quero estar feliz”.
Nathalia Fernandes, 20 anos, aluna do 4º período de jornalismo da PUC- Rio, nunca tinha pensado em fazer teatro. Com 12 anos, começou a fazer teatro no colégio, mas não gostou muito – de acordo com ela – por causa da professora. Poucos depois – exatos dois anos e depois de mudar o professor – acabou retornando. “As minhas amigas se animaram e eu também”, diz. Nascida e criada na Tijuca, hoje ela faz parte da companhia Pictrolitopia, e se divide entre duas atividades: o jornalismo e o teatro.
Quando começou o seu interesse por teatro?
Eu comecei a fazer teatro por acidente no colégio. Quando entrei no grupo tinham cinqüenta pessoas. Ficamos um ano só fazendo exercícios. Descobri que gostava daquilo. Permaneci no grupo e participei do festival inter colegial. Em 2005, fui convidada pelo diretor – que também era professor – para fazer parte da Pictrolitopia, companhia independente da qual ele participava. Como estudei em colégio católico, minha primeira peça foi sobre os índios – que era tema da campanha da fraternidade – e se chamava “Por uma terra sem males”. Fora do colégio, a primeira peça que fiz foi infantil. Chama-se “Nem Tudo Está Azul No País Azul” e está em cartaz até hoje, no “Solar de Botafogo”, com a mesma companhia.
Já quis ser atriz profissional?
Já, acho que até ano passado quando participei do teste do “Caldeirão do Huck”. Era para o “Casal Malhação” dessa temporada. Acabei não passando, eu sou muito crua em televisão. Na verdade, resolvi me dedicar realmente ao jornalismo. Acho que se eu fizesse as duas coisas, seria média. Prefiro me dedicar a uma para fazem bem.
Como que surgiu o jornalismo?
Sempre quis fazer, desde nova. Os meus pais me incentivaram muito. Na verdade acredito que eles preferem uma jornalista a uma atriz. Como teatro é uma profissão muito difícil de manter, sempre pensei em ter um plano B. O jornalismo é mais estável, e sempre gostei de ler e escrever.
Quantas peças você já fez?
No colégio, foram cinco. Entre elas teve “Os Fuzis da Senhora Carrar” do Brecht, em 2006. “Medéia” do Eurípedes em 2005. Profissionais foram três. Agora estou ensaiando a quarta. Todas eram infantis exceto essa, que se chama “Bailei na curva”. A companhia ganhou os prêmio de figurino, melhor atriz coadjuvante, melhor cenário e de melhor ator. Eu já fui indicada para melhor atriz por Medeia. Todos os prêmios e indicações foram do Festival Intercolegial, no colégio Notre Dame.
Quais os gêneros que você mais gosta?
Drama e tragédia, disparado. A maioria das peças que fiz foram trágicas. Sempre fui escalada para esses papéis. Na verdade eu nunca experimentei outros estilos, mesmo a comédia. Quando a peça era cômica a minha personagem não era. Também gosto muito de musical. O ator tem que ser versátil e não ser “ator de drama” ou “ator de comédia”, e por isso, se tivesse que trabalhar em teatro, gostaria de trabalhar em musicais. É o que exige mais versatilidade, o ator que faz musical é mais completo
Qual peça que você tem vontade de fazer?
“Ópera do Malandro”. É o meu texto preferido do Chico Buarque. Comecei a gostar dele por sua obra teatral. Já conhecia o texto, mas a peça me deixou encantada.
Qual a personalidade que você mais admira do teatro?
Ah, tem tantos. Mas não dá pra fugir o Zé Celso (José Celso Martinez Correa), tudo que ele faz é fantástico.
E a peça que vai entrar em cartaz?
A peça nova é um dos meus textos favoritos. Quando eu ainda estava no colégio nós tentamos montar, mas não deu. Fiquei frustrada. No ano passado, o diretor pensou em retomar o projeto. Acabou acontecendo. A temporada vai como o projeto escola, onde a gente leva a peça para as escolas e depois fazemos um debate sobre o espetáculo com os alunos, para ver se entenderam ou se têm perguntas. Ainda estamos fechando com os colégios. Os confirmados são o Notre Dame e o São José. A princípio, a estréia seria no teatro Ipanema, ainda estamos negociando o espaço. Como a companhia estreou com uma peça no “Solar de Botafogo”, a gente se enrolou um pouco. E a maioria das pessoas que fazem parte dessa companhia elas não vivem de teatro, elas têm seus projetos pessoais.
Há 40 anos atrás, estava em cartaz “Roda Viva” – peça que marcou o teatro brasileiro. Com a autoria de Chico Buarque e direção de José Celso Martinez.
O espetáculo conta história da ascensão e decadência da Benedito Silva – cantor popular – que ao entrar no mundo do show business é massacrado pelo sistema de “produção” de novos astros. Benedito passa por diversas mudanças – inclusive de nome – para manter o sucesso. Abre mão de sua vida pessoal – namorada e amigos – é perseguido por fãs e câmeras, que a todo tempo desejam fotografar e noticiar a vida do novo astro. Mas a “regra do jogo” é traiçoeira, e se não jogar de acordo com as regras, perde a vez, e é isso que acontece com Benedito ou Ben. Infelizmente o preço pode ser caro, e nesse caso, a própria vida.
O enredo já seria o suficiente para atrair espectadores ao teatro, mas Roda Viva não se faz somente com isso. A direção de José Celso – que naquela época já se destacava com sua maneira inovadora de dirigir – fez um verdadeiro “ritual pagão”–de acordo com o crítico Yan Michalski. Agressivo, o elenco provocava – em uma das cenas o coro, despedaçava um fígado de boi, pingava sangue no público, e por isso os espectadores passaram a evitar as primeiras filas. Tudo era feito para que o público reagisse aos estímulos. Isso aconteceu, mas infelizmente nem todo de forma positiva.
Em julho do mesmo ano – já na temporada de São Paulo – o grupo de ativistas da direita o Comando Caça Comunistas (CCC) entrou no teatro Galpão – munido de soco-inglês, cassetetes e pistolas – agrediu todos envolvidos – que encontravam – no espetáculo. Após vários protestos da classe artística – e também a pedido de Ruth Escobar, dona do teatro – Roda Viva teve uma tímida escolta alguns dias depois – de acordo com várias pessoas a proteção era simbólica.
Apesar do medo dos atores, a peça seguiu em excursão até Porto Alegre, onde a peça só fez uma apresentação – onde os atores foram ameaçados e espancados mais uma vez. A excursão do espetáculo acabou na capital gaúcha.
Hoje o espetáculo continua a povoar o imaginário de todos aqueles que assistirão ou não. Também existe motivo suficiente para isso. Vai dizer que você não teve vontade de assistir?
É senso comum dizer que comédia que cai em estereótipos é ruim. Nem sempre. A peça “Amigas, Pero No Mucho” serve de exemplo para isso. A princípio até desperta dúvida – afinal de contas são quatro homens interpretando mulheres – mas no ao longo da apresentação essa afirmativa cai “solenemente”.
O espetáculo conta a história de quatro amigas que em uma noite pouco usual. Por causa de uma seqüência de mal-entendidos, acabam ocorrendo revelações sobre a vida das personagens.
As personagens são caricatas o suficiente para peça ser boa ao invés de bizarra – pelo fato dos interpretes masculinos – e é talvez por isso, que a peça alcança o objetivo.
Cada um das amigas tem um perfil diferente. Olívia (Romis Ferreira) é uma dona de casa com mania de perseguição, que faz de sua vidinha monótona seu mundo; Débora (Leoplodo Pacheco) faz a linha amiga de todas e tem que contornar as situações embaraçosas das amigas, além de lidar com seus próprios problemas; Sara (Cláudio Fontana) é fria e calculista, amarga como ela só e a engraçada Fram (Elias Andreato) uma cinqüentona ninfomaníaca, que adora uma bebida. Com interpretações excelentes do elenco o espetáculo é engraçado do início ao fim.
O cenário é divido em três espaços, que representam os apartamentos das personagens. A iluminação é no tom certo. E o figurino – não precisa nem comentar, só por ver quatro marmanjos usando salto alto já vale – é básico sem nenhum excesso.
A peça está em cartaz no Teatro Leblon na sala Marília Pêra. A temporada vai até 24 de maio. Sextas e Sábados às 23 horas. Ingresso: R$ 40 e meia para estudantes.
Ficha Técnica
AUTOR: Célia Regina Forte
DIREÇÃO GERAL: José Possi Neto
ELENCO: Cláudio Fontana, Elias Andreato, Leopoldo Pacheco, Romis Ferrreira e Miguel Briamonte ao piano
PARTICIPAÇÃO EM ÁUDIO: Denise Fraga
CENÁRIO: Jean-Pierre Tortil
FIGURINO: José Possi Neto
ILUMINAÇÃO: Wagner Freire
TRILHA COMPOSTA: Miguel Briamonte
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Renata Alvim
REALIZAÇÃO: Cult e Morente Forte Comunicações
Quando começou a fazer balé, aos três anos de idade, ela talvez não imaginasse que seu destino seria permanecer nos palcos. Mas, ao invés de fazer da dança seu objeto de permanência, optaria por um outro tipo de arte. As seqüências de movimentos ritmados dariam lugar ao árduo trabalho de pôr corpo e sentimentos à disposição de diferentes personagens.
O interesse pelo teatro começou cedo. Desde pequena atuava em peças no colégio e aos 11 anos decidiu procurar um curso. Foi a partir de um breve contato com a atriz e xará Cláudia Gimenez que decidiu entrar para O Tablado. Já na primeira aula, a aspirante teve que mostrar suas aptidões.
– Eu estava assistindo da platéia uma aula da Cacá Mourthé (diretora do O Tablado). Os alunos faziam um exercício de interpretação com música. Ela olhou para mim e perguntou se eu não queria fazer. Fiquei super-nervosa, tinha bastante gente olhando. Mas aquela era uma oportunidade para mostrar o que eu sabia e o meu interesse por entrar no grupo. Decidi subir e fazer. Foi aí que ela me deixou ficar. Estou lá até hoje – afirma.
Apesar de ter feito outros cursos buscando um aperfeiçoamento teórico, a jovem afirma que a companhia de Maria Clara Machado é sua grande escola. Ao longo destes nove anos, Claudia trabalhou com atores como Lionel Fisher e Bernardo Jablonski, além de ter sentido o gosto de ser premiada. No ano passado, a montagem do O Tablado da peça “O Dragão Verde” recebeu o II Prêmio Zilka Salaberry de Teatro Infantil como melhor peça e melhor iluminação. Apesar de o elenco ser formado por jovens, a atriz afirma que todos se dedicaram para aprimorar o espetáculo, fazendo inúmeras aulas de canto, dança e até esgrima.
Atualmente, Claudia está no elenco da peça “O Jardim das Cerejeiras”, em cartaz no Teatro Maria Clara Machado, no Planetário da Gávea desde o início de maio. Com direção de Moacir Chaves e Deborah Evelyn no papel principal, o drama de Anton Tchekov fala da decadência de uma família aristocrata russa no início do século XX. A oportunidade de fazer parte da montagem surgiu de maneira repentina. Foi em leituras dramáticas do concurso Seleção Brasil em Cena, realizado pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em 2007, que Claudia teve o primeiro contato com o diretor.
– Nesse concurso foram escolhidos 10 textos inéditos de novos dramaturgos de todo o Brasil e foram realizadas leituras. Eu fui chamada pelo O Tablado para representá-los. Uma dessas leituras foi com o Moacir. No início desse ano, ele precisou de uma menina nova para montar “O Jardim das Cerejeiras”. Então, ele ligou para o Bernardo Jablonski e como eu tinha acabado de fazer um trabalho com ele, fui indicada. Quando fui fazer o teste, Moacir me reconheceu e me convidou para o papel. Ele é maravilhoso e está me ajudando muito – conta.
Na montagem, a atriz interpreta a filha de Deborah Evelyn. Para Claudia, é uma honra dividir o palco com ela:
– A Deborah é uma excelente atriz, muito dedicada e aberta a conselhos e críticas. No início dos encontros, ela estava gravando muito e não tinha tempo para ensaiar. Mesmo assim ela correu atrás, fez ensaios individuais com o Moacir e esteve sempre muito presente. Fez de tudo para não prejudicar o andamento da peça.
Flyer da peça
O espetáculo revezará com outros três no mês de maio: “Macbeth”, “O Ovo Frito” e “A Descoberta da América”.
Além de ter atuado em cerca de quinze peças, Claudia Sardinha teve experiências no cinema e na televisão. Fez dois curtas universitários, além de participar de um filme na maratona Curta Um Fim de Semana, realizada por alunos do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio e o grupo Estação. Um dos curtas chama-se “Psitrote” e conta a história de uma caloura que morre de medo de seu primeiro dia de aula na faculdade.
O curta-metragem “Psitrote”
Na televisão, a jovem atriz fez diversas participações em programas da TV Globo como “Malhação”, “Minha Nada Mole Vida”, “Turma do Didi” e “Beleza Pura”. Recentemente, fez uma cena na última novela das 18h, “Desejo Proibido”. Claudia interpretou o papel da atriz Eva Wilma quando era jovem. Para ela, esta foi participação teve uma maior importância.
– Sou fã da Eva Wilma. Ela é muito experiente. Assim como Fernanda Montenegro, Marília Pêra, Tony Ramos, esses grandes atores. Sem contar que eu fui escolhida de última hora, porque a menina que faria o papel teve problemas com a documentação. Fomos gravar no dia seguinte em Teresópolis. Eu estava toda produzida, com roupa de época, cabelos feitos e andando a cavalo. As crianças me viam com aquele vestidão e me davam tchau, como se eu fosse famosa – diz.
Claudia na novela “Desejo Proibido”
Aluna do 4º período de Publicidade da PUC-Rio, Claudia Sardinha faz parte do Banco de Atores da universidade, uma idéia da aluna do 5º período de Cinema Marina Provenzano. O projeto é coordenado pelo professor Hermes Frederico e visa unir em uma espécie de catálogo, atores e atrizes da PUC e oferecer esse material para os alunos de Cinema em suas produções. E através do cadastro no Banco, que Claudia foi selecionada para fazer dois curtas universitários. Para ela, o projeto interessa não só os atores, mas os futuros cineastas.
– Os alunos do curso de cinema, muitas vezes, não possuem atores para suas produções. Além disso, alguns não sabem como abordar. Com o banco, eles podem ter nosso currículo, algumas fotos e um material audiovisual. Eles vão saber o ator é bom ou não para determinado papel. É uma ótima oportunidade de trabalho.
Apesar da paixão pelas Artes Cênicas, a jovem optou por ingressar, em 2006, no curso de Comunicação Social. Claudia afirma que teme pelo seu futuro e que a profissão é muito incerta. Ela sabe que ser talentosa não é o suficiente para ter as portas abertas. A maioria dos atores faz inúmeros testes até conseguir ser aprovado, pois além de saber interpretar, a pessoa deve ter o perfil que o diretor busca para o personagem.
– A maioria dos atores faz inúmeros testes até conseguir ser aprovado, pois além de saber interpretar, a pessoa deve ter o perfil que o diretor busca para o personagem. Então, decidi ter um plano B. Afinal também quero me casar e ter filhos. Claro que se minha carreira for seguindo, vou procurar uma formação mais profunda, fazer faculdade. Por enquanto, pretendo me formar – diz.
“Sempre vai ter alguém que não vai gostar do que você faz”
Na opinião da jovem, a TV é um meio importantíssimo para a exposição do trabalho do ator, além de ser mais rentável que o teatro. Como muitas companhias independentes não conseguem investir em divulgação, suas produções muitas vezes passam despercebidas aos olhos da população. A TV possibilita a disseminação da imagem e desperta interesse dos telespectadores em conhecer o trabalho de determinados atores.
Monólogo de Claudia sardinha sobre um amor de verão
– As pessoas querem ir a peças específicas, do ator tal. Não existe o hábito de ir ao teatro, como se vai ao cinema, sem saber o que assistir. Eu conheço muita gente que vive só de teatro, mas a TV ajuda muito. É impressionante. Quando fiz as participações nas novelas, as pessoas me ligavam e diziam que agora sim eu era atriz de verdade. Ou seja, você ensaia 10 horas por dia um espetáculo e os quinze segundos que você aparece são mais reconhecidos – brinca.
Fã incondicional de outra xará, a atriz Cláudia Abreu, a jovem acredita que para se manter na carreira é necessário estudar e praticar.
- O ator tem que estudar muito e fazer cursos diferenciados porque a teoria é importantíssima, apesar de não ser o bastante. Ele deve estar aparecendo, montando produções independentes por aí. É fundamental estar no palco, porque por mais que a gente tenha um embasamento teórico, quando você sobe e dá de cara com a platéia, tudo pode acontecer. Todos têm certas limitações de corpo, sem contar a vergonha de se expor. Tudo isso só será superado com muito trabalho. Se o ator ficar apenas estudando em casa, ninguém vai saber que ele é ótimo para tal papel e as oportunidades não vão surgir – afirma.
Tão importante quanto estar no palco é trabalhar em grupo, porque saber ouvir é essencial. Para ela, a convivência ajuda a respeitar o espaço do outro e controlar a vaidade. Já as críticas, além de alertar o ator, são importantes no amadurecimento profissional.
– Sempre vai ter alguém que não vai gostar do que você faz. Até os grandes atores já foram criticados, porque eu não vou ser? – brinca.
Com elogios ao seu trabalho em “O Jardim das Cerejeiras”, feitas pela crítica teatral Bárbara Heliodora, a jovem Claudia Sardinha começa a trilhar um caminho que a aproxima, cada vez mais, dos palcos e holofotes. A pequena bailarina, que não esperava ser atriz, dá lugar à futura estrela.
” O Jardim das Cerejeiras”, de Anton Tchekov
Direção: Moacir Chaves
Com: Debora Evelyn e grande elenco
Teatro Municipal Maria Clara Machado (Planetário) – Gávea
HORÁRIOS: de 3ª a sábado, às 21h; domingo, às 20h
DATAS PROGRAMADAS: 08/05 a 11/05; 13/05 a 18/05; 03/06 a 08/06; 10/06 a 15/06
DURAÇÃO: 120 min
INGRESSOS: R$ 30,00
Em cartaz na Casa da Gávea, o espetáculo “Pão com mortadela” é uma adaptação da obra “Misto quente” do americano Charles Bukowski. Com direção de João Fonseca e a adaptação de Sacha Bali e do próprio diretor, o drama fala da infância, adolescência e juventude de Bukowski. No elenco estão Gustavo Nunes, Keli Freitas, Lívia de Bueno, Jorge Lucas, Rosanna Viegas e Sacha Bali. Na montagem de Fonseca, Sacha Bali encarna Henry e ao lado de outros seis atores narra a trajetória bukowskiana.
A obra autobiográfica do problemático autor americano é amenizada na concepção de João Fonseca. Originalmente intitulada de “Ham on Rye”, a história narra a trajetória de pobreza, boemia, sofrimento, inadequação e contestação de Henry Chinasky, o que não passa de pseudônimo do autor. Considerado por muitos um rebelde imoral, Charles Bukowski nasceu em 1920 na Alemanha, filho de um soldado americano e uma jovem alemã. Quando tinha três anos de idade, mudou-se para Los Angeles, nos EUA, onde viveu até o fim da vida. É lá que ele cresce, em meio a um cenário de miséria causado pela Grande Depressão econômica americana, em 1929. A infância difícil dá origem a um garoto problemático, que enfrenta problemas com o pai, com o álcool e outras drogas. É esta história bem amarga que Charles Bukowski conta, de maneira bem humorada e sincera, na obra “Misto quente”.
Trabalhou como carteiro, frentista e motorista de caminhão e, apesar de ter iniciado a faculdade jornalismo, nunca se formou. Desde os 15 anos escrevia poesias, mas só teve seu primeiro livro publicado em 1955. Uma de suas principais atividades durante anos foi a leitura de suas poesias em universidades e eventos culturais. Sua leitura debochada às vezes provocava escândalos e brigas com a platéia, algumas delas foram registradas em áudio. Já nos anos 1980, Bukowski desfrutou de certa fama, convivendo com artistas e tornando-se uma celebridade. Escreveu mais de 50 livros e possui mais de dez filmes baseados em sua obra, entre eles, os mais famosos são “Barfly” de Barbet Schroeder e “Factotum” de Bent Hammer, este protagonizado por Matt Dillon .
“Pão com mortadela” faz sua terceira temporada no Rio. A primeira aconteceu no Sesc de Copacabana e a segunda no Teatro Leblon. Para completar o sucesso, o diretor João Fonseca está em cartaz com outros dois espetáculos: “Minha mãe é uma peça”, que volta em maio no Citibank Hall e “Gota d’água”, que reestreou no Teatro Carlos Gomes. Para quem quer ver o trabalho do versátil diretor e a atraente história de Bukowski, deve se assistir “Pão com mortadela”, um verdadeiro sanduíche de emoções.
“Pão com mortadela”, de Charles Bukowski
Adaptação: Sacha Bali e João Fonseca
Direção: João Fonseca
Endereço: Casa da Gávea – Praça Santos Dumont, 116 sobrado – Gávea
Horário: Sextas e sábados às 21h e domingo às 20h
Ingressos: R$ 30,00
Até 11 de maio!
Onze anos depois de ser destruído por um incêndio, o Teatro Casa Grande já tem data marcada para reinaugurar. Será no dia 22 de maio, com o espetáculo “A Noviça Rebelde”, apresentado pela primeira vez no Brasil e com a direção assinada pela dupla Cláudio Botelho e Charles Möeller. Preservando o mesmo endereço, na Avenida Afrânio de Melo Franco, no Leblon, o novo Casa Grande ganhou o patrocínio da Oi e passa a se chamar Oi Casa Grande.
Com capacidade para 950 pessoas, 12 camarins, fosso para orquestra e palco com 20 metros de altura, 13 de boca de cena e telões LED (Light Emitting Diode), o teatro vem suprir a carência da cidade por espaços capazes de abrigar grandes produções. Será uma das maiores casas dedicadas às artes cênicas em atividade no Rio e a mais moderna em equipamentos. O objetivo do espaço é unir arte e tecnologia. A Oi, operadora de telefonia que está patrocinando a obra, vai instalar recursos eletrônicos no teatro a fim de estimular a interatividade, desde a venda de ingressos pelo celular até a exibição dos espetáculos via web. Além disso, o teatro oferecerá conexão Wi-Fi gratuita para uso dos freqüentadores.
A reabertura da casa é resultado de um investimento proveniente de iniciativa privada com o patrocínio da operadora de telefonia e apoio do Governo do Estado do Rio. O empresário Luis André Calainho é um dos sócios da empreitada ao lado de Aniela Jordan, David Zylbertztajn, Leonardo Haus, Sílvia Haus, Gustavo Ajhaenblat, além dos fundadores do teatro Max Haus e Moysés Ajhaenblat. Segundo eles, o novo Casa Grande terá programação nos sete dias da semana e ficará aberto 16 horas por dia. De quarta a domingo, grandes espetáculos ocuparão a grade da programação. As segundas e terças-feiras é a vez de shows e peças do circuito off tomarem o espaço. Paralelamente a essas atividades, serão realizados debates políticos e ecológicos além de apresentações de música erudita. Segundo Calainho, o preço dos espetáculos âncora seguirá os valores do mercado.
O teatro também terá espaço para exposições e um foyer exclusivo para atividades correlatas com o Oi Futuro, o centro cultural da Oi, no Flamengo. Localizado ao lado do Shopping do Leblon, o Oi Casa Grande poderá usar a infra-estrutura do centro comercial, como o estacionamento e a praça de alimentação.
Teatro que tem história
O nome do teatro surgiu de uma homenagem ao livro “Casa Grande & Senzala”, do sociólogo Gilberto Freyre. Inaugurado em 1966, ficou conhecido nas décadas de 60 e 70 como núcleo de resistência de artistas e intelectuais à ditadura militar. Foi lá que Chico Buarque, Maria Bethânia e Elis Regina fizeram shows antológicos. Além disso, foi palco dos famosos “Ciclos de Debates”, que reuniram figuras representativas como Rubens Gerchman, Tancredo Neves, Fernando Henrique Cardoso e o então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva. Também foram no Casa Grande as reuniões pela campanha da “Diretas Já” e a assinatura do decreto que pôs fim à censura.
Em sua trajetória estão inesquecíveis shows musicais, como “Tempo e Contratempo” com direção de Ruy Guerra, onde o grupo MPB-4 cantava o repertório de Chico Buarque, enquanto ele apresentava músicas de sua peça censurada “Calabar”. Montagens como “O Mistério de Irma Vap” e “A Máquina” também foram celebradas nos palcos do teatro.
Com o título de templo da resistência política, o Casa Grande sobreviveu às ameaças de despejo, mas não conseguiu resistir à um incêndio em 1997. Embora tenha funcionado de maneira precária após o acidente, acabou se rendendo em 2003, quando fechou suas portas.
A atual montagem de Gota D’água – Chico Buarque e Paulo Pontes – reestréia hoje (3/04) no Teatro Carlos Gomes, depois de uma longa temporada no Teatro Glória.
A peça foi escrita em 1975, com base no projeto de Oduvaldo Viana Filho, que já havia feito uma adaptação do clássico Medéia, de Eurípedes, para a televisão. Por isso, a trama se passa no subúrbio carioca e conta com doses de samba, futebol, cerveja e macumba. O nome da protagonista foi alterado de Medéia para Joana – afinal de contas, estamos no Rio de Janeiro.
O espetáculo conta a história de Joana (Izabella Bicalho), que promete vingança ao ser trocada por Jasão (Lucci Ferreira). O musical de Chico, além do drama da protagonista, retrata os problemas da fictícia “Vila do Meio-dia”, típicos das comunidades carentes brasileiras.
A trilha sonora conta com o clássico da obra de Chico Buarque “Gota D’Água” – o mesmo nome da peça – entre várias outras músicas da obra do compositor – algumas feitas para a peça e outras incluídas na montagem.
A direção é de João Fonseca – um dos mais celebrados diretores de teatro do momento – o que já faz a peça ganhar mais repercussão e a direção musical de Roberto Bürgel. No elenco estão os atores Izabella Bicalho, Thelmo Fernandes, Lucci Ferreira, Lucca de Castro, Kelsy Ecard, Karen Coelho, André Araújo, Pedro Lima, Sheila Mattos e Lílian Valeska – nomes desconhecidos do grande público.
A peça recebeu boas críticas na sua temporada anterior e quando foi montada pela primeira vez. O elenco da montagem original contava com nomes importantes até hoje para o teatro entre eles Bibi Ferreira, Roberto Bonfim e Bete Mendes. A direção era de Gianni Ratto e a direção musical de Dori Caymmi.
Vale à pena assistir a peça. Afinal de contas, quem não se comove com uma mulher que está sofrendo por amor?
FICHA TÉCNICA
Texto: Chico Buarque e Paulo Pontes
Músicas: Chico Buarque
Direção: João Fonseca
Direção Musical: Roberto Bürgel
Elenco: Izabella Bicalho, Thelmo Fernandes, Lucci Ferreira, Lucca de Castro, Kelsy Ecard, Karen Coelho, André Araújo, Pedro Lima, Sheila Mattos e Lílian Valeska
Teatro Carlos Gomes: Praça Tiradentes s/n – Centro.
Quinta às 19h, sextas e sábados às 20h e domingos às 18h. 150 minutos. Ingressos a 20,00 (quinta), 25,00 (sexta e domingo) e 30,00 (sábado).Telefone: 2232-8701 / 2224-3602