Sanduíche recheado de emoções

Em cartaz na Casa da Gávea, o espetáculo “Pão com mortadela” é uma adaptação da obra “Misto quente” do americano Charles Bukowski. Com direção de João Fonseca e a adaptação de Sacha Bali e do próprio diretor, o drama fala da infância, adolescência e juventude de Bukowski. No elenco estão Gustavo Nunes, Keli Freitas, Lívia de Bueno, Jorge Lucas, Rosanna Viegas e Sacha Bali. Na montagem de Fonseca, Sacha Bali encarna Henry e ao lado de outros seis atores narra a trajetória bukowskiana.

A obra autobiográfica do problemático autor americano é amenizada na concepção de João Fonseca. Originalmente intitulada de “Ham on Rye”, a história narra a trajetória de pobreza, boemia, sofrimento, inadequação e contestação de Henry Chinasky, o que não passa de pseudônimo do autor. Considerado por muitos um rebelde imoral, Charles Bukowski nasceu em 1920 na Alemanha, filho de um soldado americano e uma jovem alemã. Quando tinha três anos de idade, mudou-se para Los Angeles, nos EUA, onde viveu até o fim da vida. É lá que ele cresce, em meio a um cenário de miséria causado pela Grande Depressão econômica americana, em 1929. A infância difícil dá origem a um garoto problemático, que enfrenta problemas com o pai, com o álcool e outras drogas. É esta história bem amarga que Charles Bukowski conta, de maneira bem humorada e sincera, na obra “Misto quente”.

Trabalhou como carteiro, frentista e motorista de caminhão e, apesar de ter iniciado a faculdade jornalismo, nunca se formou. Desde os 15 anos escrevia poesias, mas só teve seu primeiro livro publicado em 1955. Uma de suas principais atividades durante anos foi a leitura de suas poesias em universidades e eventos culturais. Sua leitura debochada às vezes provocava escândalos e brigas com a platéia, algumas delas foram registradas em áudio. Já nos anos 1980, Bukowski desfrutou de certa fama, convivendo com artistas e tornando-se uma celebridade. Escreveu mais de 50 livros e possui mais de dez filmes baseados em sua obra, entre eles, os mais famosos são “Barfly” de Barbet Schroeder e “Factotum” de Bent Hammer, este protagonizado por Matt Dillon .

“Pão com mortadela” faz sua terceira temporada no Rio. A primeira aconteceu no Sesc de Copacabana e a segunda no Teatro Leblon. Para completar o sucesso, o diretor João Fonseca está em cartaz com outros dois espetáculos: “Minha mãe é uma peça”, que volta em maio no Citibank Hall e “Gota d’água”, que reestreou no Teatro Carlos Gomes. Para quem quer ver o trabalho do versátil diretor e a atraente história de Bukowski, deve se assistir “Pão com mortadela”, um verdadeiro sanduíche de emoções.

“Pão com mortadela”, de Charles Bukowski
Adaptação: Sacha Bali e João Fonseca
Direção: João Fonseca
Endereço: Casa da Gávea – Praça Santos Dumont, 116 sobrado – Gávea
Horário: Sextas e sábados às 21h e domingo às 20h
Ingressos: R$ 30,00
Até 11 de maio!

Assista a um trecho da peça:

Publicado em: on 27 AbrpmThu, 24 Apr 2008 15:22:02 +0000, 2008 at 11:43 pm04 Comentários (1)

A Volta do Casa Grande

Onze anos depois de ser destruído por um incêndio, o Teatro Casa Grande já tem data marcada para reinaugurar. Será no dia 22 de maio, com o espetáculo “A Noviça Rebelde”, apresentado pela primeira vez no Brasil e com a direção assinada pela dupla Cláudio Botelho e Charles Möeller. Preservando o mesmo endereço, na Avenida Afrânio de Melo Franco, no Leblon, o novo Casa Grande ganhou o patrocínio da Oi e passa a se chamar Oi Casa Grande.

Com capacidade para 950 pessoas, 12 camarins, fosso para orquestra e palco com 20 metros de altura, 13 de boca de cena e telões LED (Light Emitting Diode), o teatro vem suprir a carência da cidade por espaços capazes de abrigar grandes produções. Será uma das maiores casas dedicadas às artes cênicas em atividade no Rio e a mais moderna em equipamentos. O objetivo do espaço é unir arte e tecnologia. A Oi, operadora de telefonia que está patrocinando a obra, vai instalar recursos eletrônicos no teatro a fim de estimular a interatividade, desde a venda de ingressos pelo celular até a exibição dos espetáculos via web. Além disso, o teatro oferecerá conexão Wi-Fi gratuita para uso dos freqüentadores.

A reabertura da casa é resultado de um investimento proveniente de iniciativa privada com o patrocínio da operadora de telefonia e apoio do Governo do Estado do Rio. O empresário Luis André Calainho é um dos sócios da empreitada ao lado de Aniela Jordan, David Zylbertztajn, Leonardo Haus, Sílvia Haus, Gustavo Ajhaenblat, além dos fundadores do teatro Max Haus e Moysés Ajhaenblat. Segundo eles, o novo Casa Grande terá programação nos sete dias da semana e ficará aberto 16 horas por dia. De quarta a domingo, grandes espetáculos ocuparão a grade da programação. As segundas e terças-feiras é a vez de shows e peças do circuito off tomarem o espaço. Paralelamente a essas atividades, serão realizados debates políticos e ecológicos além de apresentações de música erudita. Segundo Calainho, o preço dos espetáculos âncora seguirá os valores do mercado.

O teatro também terá espaço para exposições e um foyer exclusivo para atividades correlatas com o Oi Futuro, o centro cultural da Oi, no Flamengo. Localizado ao lado do Shopping do Leblon, o Oi Casa Grande poderá usar a infra-estrutura do centro comercial, como o estacionamento e a praça de alimentação.

Teatro que tem história

O nome do teatro surgiu de uma homenagem ao livro “Casa Grande & Senzala”, do sociólogo Gilberto Freyre. Inaugurado em 1966, ficou conhecido nas décadas de 60 e 70 como núcleo de resistência de artistas e intelectuais à ditadura militar. Foi lá que Chico Buarque, Maria Bethânia e Elis Regina fizeram shows antológicos. Além disso, foi palco dos famosos “Ciclos de Debates”, que reuniram figuras representativas como Rubens Gerchman, Tancredo Neves, Fernando Henrique Cardoso e o então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva. Também foram no Casa Grande as reuniões pela campanha da “Diretas Já” e a assinatura do decreto que pôs fim à censura.

Em sua trajetória estão inesquecíveis shows musicais, como “Tempo e Contratempo” com direção de Ruy Guerra, onde o grupo MPB-4 cantava o repertório de Chico Buarque, enquanto ele apresentava músicas de sua peça censurada “Calabar”. Montagens como “O Mistério de Irma Vap” e “A Máquina” também foram celebradas nos palcos do teatro.

Com o título de templo da resistência política, o Casa Grande sobreviveu às ameaças de despejo, mas não conseguiu resistir à um incêndio em 1997. Embora tenha funcionado de maneira precária após o acidente, acabou se rendendo em 2003, quando fechou suas portas.

Para conhecer um pouco mais do projeto basta acessar o site:
www.oicasagrande.com.br

Para comprar ingressos e saber mais sobre a peça “A Noviça Rebelde” basta acessar:
http://www.ticketronic.com.br/jornal/newsclip/DefaultNewsShow.asp?editoria=9&noticia=1745

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Reestréia de Gota D’ Água

A atual montagem de Gota D’água – Chico Buarque e Paulo Pontes – reestréia hoje (3/04) no Teatro Carlos Gomes, depois de uma longa temporada no Teatro Glória.

A peça foi escrita em 1975, com base no projeto de Oduvaldo Viana Filho, que já havia feito uma adaptação do clássico Medéia, de Eurípedes, para a televisão. Por isso, a trama se passa no subúrbio carioca e conta com doses de samba, futebol, cerveja e macumba. O nome da protagonista foi alterado de Medéia para Joana – afinal de contas, estamos no Rio de Janeiro.

O espetáculo conta a história de Joana (Izabella Bicalho), que promete vingança ao ser trocada por Jasão (Lucci Ferreira). O musical de Chico, além do drama da protagonista, retrata os problemas da fictícia “Vila do Meio-dia”, típicos das comunidades carentes brasileiras.

A trilha sonora conta com o clássico da obra de Chico Buarque “Gota D’Água” – o mesmo nome da peça – entre várias outras músicas da obra do compositor – algumas feitas para a peça e outras incluídas na montagem.

A direção é de João Fonseca – um dos mais celebrados diretores de teatro do momento – o que já faz a peça ganhar mais repercussão e a direção musical de Roberto Bürgel. No elenco estão os atores Izabella Bicalho, Thelmo Fernandes, Lucci Ferreira, Lucca de Castro, Kelsy Ecard, Karen Coelho, André Araújo, Pedro Lima, Sheila Mattos e Lílian Valeska – nomes desconhecidos do grande público.

A peça recebeu boas críticas na sua temporada anterior e quando foi montada pela primeira vez. O elenco da montagem original contava com nomes importantes até hoje para o teatro entre eles Bibi Ferreira, Roberto Bonfim e Bete Mendes. A direção era de Gianni Ratto e a direção musical de Dori Caymmi.

Vale à pena assistir a peça. Afinal de contas, quem não se comove com uma mulher que está sofrendo por amor?

FICHA TÉCNICA
Texto: Chico Buarque e Paulo Pontes
Músicas: Chico Buarque
Direção: João Fonseca
Direção Musical: Roberto Bürgel
Elenco: Izabella Bicalho, Thelmo Fernandes, Lucci Ferreira, Lucca de Castro, Kelsy Ecard, Karen Coelho, André Araújo, Pedro Lima, Sheila Mattos e Lílian Valeska

Teatro Carlos Gomes: Praça Tiradentes s/n – Centro.
Quinta às 19h, sextas e sábados às 20h e domingos às 18h. 150 minutos. Ingressos a 20,00 (quinta), 25,00 (sexta e domingo) e 30,00 (sábado).Telefone: 2232-8701 / 2224-3602

Bibi Ferreira na Primeira Montagem de Gota D’Água

Publicado em: on 27 AbrpmThu, 17 Apr 2008 15:07:43 +0000, 2008 at 11:43 pm04 Deixe um comentário

Teatro por um Dia

Optar por uma carreira nem sempre é fácil. Escolher a universidade pode ser mais difícil ainda. Visando esclarecer as dúvidas de diversos jovens do ensino médio, a PUC-Rio estará promovendo o evento “PUC por um Dia” na próxima sexta-feira, 18. Neste dia, os alunos poderão conhecer melhor os cursos oferecidos, o campus e o clima de universidade. Além de palestras e workshops, os futuros universitários terão a oportunidade de desfrutar de trabalhos artísticos, como o teatro clássico.

As apresentações acontecerão no Anfiteatro e estão divididas e dois momentos. A primeira parte se chama “Teatro Antigo: o trágico e o cômico” e acontecerá no turno da manhã. A atividade trará uma contextualização e leitura de cenas da dramaturgia clássica. Dois grandes textos serão abordados na leitura. Um deles é a tragédia “Édipo Rei”, que foi escrita por Sófocles por volta de 427 a.C. e fala sobre o triste mito de Édipo. A outra obra é a comédia “Aulularia” de Plauto, que conta a história de um velho avarento que faz de tudo para guardar uma marmita cheia de ouro.

Coordenadas pelos professores do Departamento de Letras Miriam Sutter, Antônio Mattoso e Isabela Fernandes, as peças serão encenadas por alunos de Letras e História, e conta com a participação de Mattoso no papel do velho. Formada em Letras pela PUC-Rio e funcionária da universidade há mais de 20 anos, Miriam Sutter acredita que esta atividade apresentará o texto clássico para muitos jovens. “Vamos discutir a importância desta literatura, promovendo debates com os espectadores no final de cada apresentação. Será uma troca bacana. Os alunos perceberão que dentro da PUC existem muitas possibilidades”.

A segunda etapa do projeto é o “Tirando de Letras”, que acontecerá na parte da tarde. Entre as atividades estão leituras de textos e poemas, performances de dança e teatro além de apresentações musicais em voz e violão, todas elas com a participação dos alunos de graduação e pós-graduação em Letras. O coordenador da atividade, Lucas Viriato, aluno do 8º período do curso, acredita que a mostra ajudará a apontar uma nova face dos que estudam neste departamento. “Os jovens vão poder ver que os alunos de Letras não só escrevem e lêem sem parar. Eles verão que nós estamos muito ligados às atividades artísticas de um modo geral”. Para ele, o “Tirando de Letras” ajuda a promover a interação dos alunos com outros alunos, com a faculdade e com a sociedade como um todo.

O projeto “Teatro Antigo: o trágico e o cômico” começará às 09h e o “Tirando de Letras” terá início às 14h. Ambos acontecerão no dia 18 de abril no Anfiteatro.

VEJA A PROGRAMAÇÃO

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Uma boca de bronze

No último sábado, dia 29 de março, a Cia. Grutta Teatral estreou o espetáculo “Boca de Ouro”, no Teatro Brigitte Blair, em Copacabana. A obra do dramaturgo Nelson Rodrigues conta a história do temido e carismático Boca de Ouro, um bicheiro de Madureira que decide trocar todos os seus dentes por pivôs feitos de ouro puro. Uma das grandes ambições de Boca é ser enterrado em um caixão de ouro, e para isso ele atrai mulheres casadas com o objetivo de roubar suas alianças e derretê-las.

A montagem tem a direção assinada por Linn Falcão e, apesar da força de vontade da equipe, deixa a desejar em muitos aspectos. Falta aos atores interpretações grandiosas, que apresentem a real complexidade dos personagens rodrigueanos. Dentre os doze atores, a atriz Ana Amélia Rodrigues, que interpreta a personagem D. Guigui, merece um destaque. Ana é a que está mais a vontade no palco e consegue dar um tom cômico à personagem. A história é praticamente narrada por Guigui, que abandonou o marido e os filhos para viver um caso de amor com Boca. Ela é procurada pela imprensa para falar sobre o bicheiro, que foi encontrado morto. Num primeiro momento, antes de saber da morte, Guigui apresenta o malandro como um homem cruel e insensível, capaz de matar e cometer outras atrocidades. Ao saber que ele morreu, imediatamente muda de discurso e o descreve de maneira apaixonada e diz que ele é capaz de matar, mas apenas por uma célebre causa. Com esta mudança, fica claro ao espectador não só a crueldade daquela mulher, mas as inseguranças de quem foi abandonada pelo grande amor.

O excesso de transparência e nervosismo faz com que os pequenos erros existentes ao longo da apresentação fiquem evidentes. Este erro pode ser justificado pelo fato de o elenco não possuir uma conta-regragem que os auxilie nas trocas de roupa e figurino. Além disso, falta malandragem em Hugo Barrylari, que interpreta o bicheiro Boca de Ouro. Marcelo Spindola, no papel de Leleco, é o que mais se destaca no elenco masculino.

  

 

A diretora Linn Falcão é a idealizadora do projeto e participa do espetáculo, no papel da assassina Maria Luisa. Além de dirigir, Linn assina a maquiagem, o cenário, a trilha sonora e a direção musical. Se na trama de Nelson, Maria Luisa desempenha um papel importante, na montagem a atriz e diretora não apresenta uma interpretação à altura.

O figurino de Alicia Ferraz é simples e comum, mas está de acordo com a moda seguida nos anos 60. A trilha sonora inclui sucessos como o samba “Alvorada” de Cartola.

Vale ressaltar o esforço e a força de vontade do elenco. Mesmo sem grandes patrocinadores e uma publicidade eficaz, o grupo completa 10 anos neste ano. No currículo estão outras obras de Nelson Rodrigues como “A Mulher sem Pecado” e “O Beijo nos Asfalto”.

O espetáculo estreou nos palcos de São Paulo em 1960 e trazia o diretor polonês Ziembinski no papel de Boca de Ouro. A peça não agradou o público paulista, já que a tragédia era tipicamente carioca e trazia um estrangeiro no papel de malandro. A temporada não durou nem três semanas no atual Teatro Cacilda Becker. Em janeiro de 61, a obra reestreou, desta vez no Rio de Janeiro, com toda grandeza necessária. Em 1990. a história do malandro que nasceu em um banheiro de gafiera chegou às telonas. Com direção de Walter Avancini, o filme traz Hugo Carvana, Cláudia Raia, Luma de Oliveira, Osmar Prado, Grande Otelo e Tarcísio Meira no papel de Boca de Ouro.

A peça “Boca de Ouro”, com direção de Linn Falcão, está em cartaz no Teatro Brigitte Blair, em Copacabana, todo sábado às 21h e domingos às 20h30m até o dia 25 de maio.

Publicado em: on 27 AbrpmThu, 03 Apr 2008 15:52:48 +0000, 2008 at 11:43 pm04 Comentários (4)