Onze anos depois de ser destruído por um incêndio, o Teatro Casa Grande já tem data marcada para reinaugurar. Será no dia 22 de maio, com o espetáculo “A Noviça Rebelde”, apresentado pela primeira vez no Brasil e com a direção assinada pela dupla Cláudio Botelho e Charles Möeller. Preservando o mesmo endereço, na Avenida Afrânio de Melo Franco, no Leblon, o novo Casa Grande ganhou o patrocínio da Oi e passa a se chamar Oi Casa Grande.
Com capacidade para 950 pessoas, 12 camarins, fosso para orquestra e palco com 20 metros de altura, 13 de boca de cena e telões LED (Light Emitting Diode), o teatro vem suprir a carência da cidade por espaços capazes de abrigar grandes produções. Será uma das maiores casas dedicadas às artes cênicas em atividade no Rio e a mais moderna em equipamentos. O objetivo do espaço é unir arte e tecnologia. A Oi, operadora de telefonia que está patrocinando a obra, vai instalar recursos eletrônicos no teatro a fim de estimular a interatividade, desde a venda de ingressos pelo celular até a exibição dos espetáculos via web. Além disso, o teatro oferecerá conexão Wi-Fi gratuita para uso dos freqüentadores.
A reabertura da casa é resultado de um investimento proveniente de iniciativa privada com o patrocínio da operadora de telefonia e apoio do Governo do Estado do Rio. O empresário Luis André Calainho é um dos sócios da empreitada ao lado de Aniela Jordan, David Zylbertztajn, Leonardo Haus, Sílvia Haus, Gustavo Ajhaenblat, além dos fundadores do teatro Max Haus e Moysés Ajhaenblat. Segundo eles, o novo Casa Grande terá programação nos sete dias da semana e ficará aberto 16 horas por dia. De quarta a domingo, grandes espetáculos ocuparão a grade da programação. As segundas e terças-feiras é a vez de shows e peças do circuito off tomarem o espaço. Paralelamente a essas atividades, serão realizados debates políticos e ecológicos além de apresentações de música erudita. Segundo Calainho, o preço dos espetáculos âncora seguirá os valores do mercado.
O teatro também terá espaço para exposições e um foyer exclusivo para atividades correlatas com o Oi Futuro, o centro cultural da Oi, no Flamengo. Localizado ao lado do Shopping do Leblon, o Oi Casa Grande poderá usar a infra-estrutura do centro comercial, como o estacionamento e a praça de alimentação.
Teatro que tem história
O nome do teatro surgiu de uma homenagem ao livro “Casa Grande & Senzala”, do sociólogo Gilberto Freyre. Inaugurado em 1966, ficou conhecido nas décadas de 60 e 70 como núcleo de resistência de artistas e intelectuais à ditadura militar. Foi lá que Chico Buarque, Maria Bethânia e Elis Regina fizeram shows antológicos. Além disso, foi palco dos famosos “Ciclos de Debates”, que reuniram figuras representativas como Rubens Gerchman, Tancredo Neves, Fernando Henrique Cardoso e o então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva. Também foram no Casa Grande as reuniões pela campanha da “Diretas Já” e a assinatura do decreto que pôs fim à censura.
Em sua trajetória estão inesquecíveis shows musicais, como “Tempo e Contratempo” com direção de Ruy Guerra, onde o grupo MPB-4 cantava o repertório de Chico Buarque, enquanto ele apresentava músicas de sua peça censurada “Calabar”. Montagens como “O Mistério de Irma Vap” e “A Máquina” também foram celebradas nos palcos do teatro.
Com o título de templo da resistência política, o Casa Grande sobreviveu às ameaças de despejo, mas não conseguiu resistir à um incêndio em 1997. Embora tenha funcionado de maneira precária após o acidente, acabou se rendendo em 2003, quando fechou suas portas.
Para conhecer um pouco mais do projeto basta acessar o site:
www.oicasagrande.com.br
Para comprar ingressos e saber mais sobre a peça “A Noviça Rebelde” basta acessar:
http://www.ticketronic.com.br/jornal/newsclip/DefaultNewsShow.asp?editoria=9¬icia=1745
