40 Anos do “Roda Viva”

Há 40 anos atrás, estava em cartaz “Roda Viva” – peça que marcou o teatro brasileiro. Com a autoria de Chico Buarque e direção de José Celso Martinez.

O espetáculo conta história da ascensão e decadência da Benedito Silva – cantor popular – que ao entrar no mundo do show business é massacrado pelo sistema de “produção” de novos astros. Benedito passa por diversas mudanças – inclusive de nome – para manter o sucesso. Abre mão de sua vida pessoal – namorada e amigos – é perseguido por fãs e câmeras, que a todo tempo desejam fotografar e noticiar a vida do novo astro. Mas a “regra do jogo” é traiçoeira, e se não jogar de acordo com as regras, perde a vez, e é isso que acontece com Benedito ou Ben. Infelizmente o preço pode ser caro, e nesse caso, a própria vida.

O enredo já seria o suficiente para atrair espectadores ao teatro, mas Roda Viva não se faz somente com isso. A direção de José Celso – que naquela época já se destacava com sua maneira inovadora de dirigir – fez um verdadeiro “ritual pagão”–de acordo com o crítico Yan Michalski. Agressivo, o elenco provocava – em uma das cenas o coro, despedaçava um fígado de boi, pingava sangue no público, e por isso os espectadores passaram a evitar as primeiras filas. Tudo era feito para que o público reagisse aos estímulos. Isso aconteceu, mas infelizmente nem todo de forma positiva.

Em julho do mesmo ano – já na temporada de São Paulo – o grupo de ativistas da direita o Comando Caça Comunistas (CCC) entrou no teatro Galpão – munido de soco-inglês, cassetetes e pistolas – agrediu todos envolvidos – que encontravam – no espetáculo. Após vários protestos da classe artística – e também a pedido de Ruth Escobar, dona do teatro – Roda Viva teve uma tímida escolta alguns dias depois – de acordo com várias pessoas a proteção era simbólica.

Apesar do medo dos atores, a peça seguiu em excursão até Porto Alegre, onde a peça só fez uma apresentação – onde os atores foram ameaçados e espancados mais uma vez. A excursão do espetáculo acabou na capital gaúcha.

Hoje o espetáculo continua a povoar o imaginário de todos aqueles que assistirão ou não. Também existe motivo suficiente para isso. Vai dizer que você não teve vontade de assistir?

Publicado em: on 27 MaipmThu, 15 May 2008 16:06:02 +0000, 2008 at 11:43 pm05 Deixe um comentário

Amigas, pero no mucho ou no mucho amigas?

É senso comum dizer que comédia que cai em estereótipos é ruim. Nem sempre. A peça “Amigas, Pero No Mucho” serve de exemplo para isso. A princípio até desperta dúvida – afinal de contas são quatro homens interpretando mulheres – mas no ao longo da apresentação essa afirmativa cai “solenemente”.

O espetáculo conta a história de quatro amigas que em uma noite pouco usual. Por causa de uma seqüência de mal-entendidos, acabam ocorrendo revelações sobre a vida das personagens.

As personagens são caricatas o suficiente para peça ser boa ao invés de bizarra – pelo fato dos interpretes masculinos – e é talvez por isso, que a peça alcança o objetivo.
Cada um das amigas tem um perfil diferente. Olívia (Romis Ferreira) é uma dona de casa com mania de perseguição, que faz de sua vidinha monótona seu mundo; Débora (Leoplodo Pacheco) faz a linha amiga de todas e tem que contornar as situações embaraçosas das amigas, além de lidar com seus próprios problemas; Sara (Cláudio Fontana) é fria e calculista, amarga como ela só e a engraçada Fram (Elias Andreato) uma cinqüentona ninfomaníaca, que adora uma bebida. Com interpretações excelentes do elenco o espetáculo é engraçado do início ao fim.

O cenário é divido em três espaços, que representam os apartamentos das personagens. A iluminação é no tom certo. E o figurino – não precisa nem comentar, só por ver quatro marmanjos usando salto alto já vale – é básico sem nenhum excesso.

A peça está em cartaz no Teatro Leblon na sala Marília Pêra. A temporada vai até 24 de maio. Sextas e Sábados às 23 horas. Ingresso: R$ 40 e meia para estudantes.

Ficha Técnica

AUTOR: Célia Regina Forte
DIREÇÃO GERAL: José Possi Neto
ELENCO: Cláudio Fontana, Elias Andreato, Leopoldo Pacheco, Romis Ferrreira e Miguel Briamonte ao piano
PARTICIPAÇÃO EM ÁUDIO: Denise Fraga

CENÁRIO: Jean-Pierre Tortil
FIGURINO: José Possi Neto
ILUMINAÇÃO: Wagner Freire
TRILHA COMPOSTA: Miguel Briamonte
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Renata Alvim
REALIZAÇÃO: Cult e Morente Forte Comunicações

Publicado em: on at 11:43 pm05 Deixe um comentário

Confissões de uma jovem atriz

Quando começou a fazer balé, aos três anos de idade, ela talvez não imaginasse que seu destino seria permanecer nos palcos. Mas, ao invés de fazer da dança seu objeto de permanência, optaria por um outro tipo de arte. As seqüências de movimentos ritmados dariam lugar ao árduo trabalho de pôr corpo e sentimentos à disposição de diferentes personagens.

O interesse pelo teatro começou cedo. Desde pequena atuava em peças no colégio e aos 11 anos decidiu procurar um curso. Foi a partir de um breve contato com a atriz e xará Cláudia Gimenez que decidiu entrar para O Tablado. Já na primeira aula, a aspirante teve que mostrar suas aptidões.

– Eu estava assistindo da platéia uma aula da Cacá Mourthé (diretora do O Tablado). Os alunos faziam um exercício de interpretação com música. Ela olhou para mim e perguntou se eu não queria fazer. Fiquei super-nervosa, tinha bastante gente olhando. Mas aquela era uma oportunidade para mostrar o que eu sabia e o meu interesse por entrar no grupo. Decidi subir e fazer. Foi aí que ela me deixou ficar. Estou lá até hoje – afirma.

Apesar de ter feito outros cursos buscando um aperfeiçoamento teórico, a jovem afirma que a companhia de Maria Clara Machado é sua grande escola. Ao longo destes nove anos, Claudia trabalhou com atores como Lionel Fisher e Bernardo Jablonski, além de ter sentido o gosto de ser premiada. No ano passado, a montagem do O Tablado da peça “O Dragão Verde” recebeu o II Prêmio Zilka Salaberry de Teatro Infantil como melhor peça e melhor iluminação. Apesar de o elenco ser formado por jovens, a atriz afirma que todos se dedicaram para aprimorar o espetáculo, fazendo inúmeras aulas de canto, dança e até esgrima.

Atualmente, Claudia está no elenco da peça “O Jardim das Cerejeiras”, em cartaz no Teatro Maria Clara Machado, no Planetário da Gávea desde o início de maio. Com direção de Moacir Chaves e Deborah Evelyn no papel principal, o drama de Anton Tchekov fala da decadência de uma família aristocrata russa no início do século XX. A oportunidade de fazer parte da montagem surgiu de maneira repentina. Foi em leituras dramáticas do concurso Seleção Brasil em Cena, realizado pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em 2007, que Claudia teve o primeiro contato com o diretor.

– Nesse concurso foram escolhidos 10 textos inéditos de novos dramaturgos de todo o Brasil e foram realizadas leituras. Eu fui chamada pelo O Tablado para representá-los. Uma dessas leituras foi com o Moacir. No início desse ano, ele precisou de uma menina nova para montar “O Jardim das Cerejeiras”. Então, ele ligou para o Bernardo Jablonski e como eu tinha acabado de fazer um trabalho com ele, fui indicada. Quando fui fazer o teste, Moacir me reconheceu e me convidou para o papel. Ele é maravilhoso e está me ajudando muito – conta.

Na montagem, a atriz interpreta a filha de Deborah Evelyn. Para Claudia, é uma honra dividir o palco com ela:

– A Deborah é uma excelente atriz, muito dedicada e aberta a conselhos e críticas. No início dos encontros, ela estava gravando muito e não tinha tempo para ensaiar. Mesmo assim ela correu atrás, fez ensaios individuais com o Moacir e esteve sempre muito presente. Fez de tudo para não prejudicar o andamento da peça.


Flyer da peça

O espetáculo revezará com outros três no mês de maio: “Macbeth”, “O Ovo Frito” e “A Descoberta da América”.

Além de ter atuado em cerca de quinze peças, Claudia Sardinha teve experiências no cinema e na televisão. Fez dois curtas universitários, além de participar de um filme na maratona Curta Um Fim de Semana, realizada por alunos do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio e o grupo Estação. Um dos curtas chama-se “Psitrote” e conta a história de uma caloura que morre de medo de seu primeiro dia de aula na faculdade.

O curta-metragem “Psitrote”

Na televisão, a jovem atriz fez diversas participações em programas da TV Globo como “Malhação”, “Minha Nada Mole Vida”, “Turma do Didi” e “Beleza Pura”. Recentemente, fez uma cena na última novela das 18h, “Desejo Proibido”. Claudia interpretou o papel da atriz Eva Wilma quando era jovem. Para ela, esta foi participação teve uma maior importância.

– Sou fã da Eva Wilma. Ela é muito experiente. Assim como Fernanda Montenegro, Marília Pêra, Tony Ramos, esses grandes atores. Sem contar que eu fui escolhida de última hora, porque a menina que faria o papel teve problemas com a documentação. Fomos gravar no dia seguinte em Teresópolis. Eu estava toda produzida, com roupa de época, cabelos feitos e andando a cavalo. As crianças me viam com aquele vestidão e me davam tchau, como se eu fosse famosa – diz.


Claudia na novela “Desejo Proibido”

Aluna do 4º período de Publicidade da PUC-Rio, Claudia Sardinha faz parte do Banco de Atores da universidade, uma idéia da aluna do 5º período de Cinema Marina Provenzano. O projeto é coordenado pelo professor Hermes Frederico e visa unir em uma espécie de catálogo, atores e atrizes da PUC e oferecer esse material para os alunos de Cinema em suas produções. E através do cadastro no Banco, que Claudia foi selecionada para fazer dois curtas universitários. Para ela, o projeto interessa não só os atores, mas os futuros cineastas.

– Os alunos do curso de cinema, muitas vezes, não possuem atores para suas produções. Além disso, alguns não sabem como abordar. Com o banco, eles podem ter nosso currículo, algumas fotos e um material audiovisual. Eles vão saber o ator é bom ou não para determinado papel. É uma ótima oportunidade de trabalho.

Apesar da paixão pelas Artes Cênicas, a jovem optou por ingressar, em 2006, no curso de Comunicação Social. Claudia afirma que teme pelo seu futuro e que a profissão é muito incerta. Ela sabe que ser talentosa não é o suficiente para ter as portas abertas. A maioria dos atores faz inúmeros testes até conseguir ser aprovado, pois além de saber interpretar, a pessoa deve ter o perfil que o diretor busca para o personagem.

– A maioria dos atores faz inúmeros testes até conseguir ser aprovado, pois além de saber interpretar, a pessoa deve ter o perfil que o diretor busca para o personagem. Então, decidi ter um plano B. Afinal também quero me casar e ter filhos. Claro que se minha carreira for seguindo, vou procurar uma formação mais profunda, fazer faculdade. Por enquanto, pretendo me formar – diz.

“Sempre vai ter alguém que não vai gostar do que você faz”

Na opinião da jovem, a TV é um meio importantíssimo para a exposição do trabalho do ator, além de ser mais rentável que o teatro. Como muitas companhias independentes não conseguem investir em divulgação, suas produções muitas vezes passam despercebidas aos olhos da população. A TV possibilita a disseminação da imagem e desperta interesse dos telespectadores em conhecer o trabalho de determinados atores.

Monólogo de Claudia sardinha sobre um amor de verão

– As pessoas querem ir a peças específicas, do ator tal. Não existe o hábito de ir ao teatro, como se vai ao cinema, sem saber o que assistir. Eu conheço muita gente que vive só de teatro, mas a TV ajuda muito. É impressionante. Quando fiz as participações nas novelas, as pessoas me ligavam e diziam que agora sim eu era atriz de verdade. Ou seja, você ensaia 10 horas por dia um espetáculo e os quinze segundos que você aparece são mais reconhecidos – brinca.
Fã incondicional de outra xará, a atriz Cláudia Abreu, a jovem acredita que para se manter na carreira é necessário estudar e praticar.

- O ator tem que estudar muito e fazer cursos diferenciados porque a teoria é importantíssima, apesar de não ser o bastante. Ele deve estar aparecendo, montando produções independentes por aí. É fundamental estar no palco, porque por mais que a gente tenha um embasamento teórico, quando você sobe e dá de cara com a platéia, tudo pode acontecer. Todos têm certas limitações de corpo, sem contar a vergonha de se expor. Tudo isso só será superado com muito trabalho. Se o ator ficar apenas estudando em casa, ninguém vai saber que ele é ótimo para tal papel e as oportunidades não vão surgir – afirma.

Tão importante quanto estar no palco é trabalhar em grupo, porque saber ouvir é essencial. Para ela, a convivência ajuda a respeitar o espaço do outro e controlar a vaidade. Já as críticas, além de alertar o ator, são importantes no amadurecimento profissional.

– Sempre vai ter alguém que não vai gostar do que você faz. Até os grandes atores já foram criticados, porque eu não vou ser? – brinca.

Com elogios ao seu trabalho em “O Jardim das Cerejeiras”, feitas pela crítica teatral Bárbara Heliodora, a jovem Claudia Sardinha começa a trilhar um caminho que a aproxima, cada vez mais, dos palcos e holofotes. A pequena bailarina, que não esperava ser atriz, dá lugar à futura estrela.

” O Jardim das Cerejeiras”, de Anton Tchekov
Direção: Moacir Chaves
Com: Debora Evelyn e grande elenco
Teatro Municipal Maria Clara Machado (Planetário) – Gávea
HORÁRIOS: de 3ª a sábado, às 21h; domingo, às 20h
DATAS PROGRAMADAS: 08/05 a 11/05; 13/05 a 18/05; 03/06 a 08/06; 10/06 a 15/06
DURAÇÃO: 120 min
INGRESSOS: R$ 30,00

Reportagem do RJTV 1ª edição que fala sobre “O Jardim das Cerejeiras”
http://rjtv.globo.com/Jornalismo/RJTV/0,,MUL464318-9097,00.html

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Publicado em: on at 11:43 pm05 Deixe um comentário