A história de quem conta histórias

Ele é grande, versátil e está com a idade avançada. Costuma variar sua personalidade ao longo do ano e receber grandes nomes da dramaturgia e da música brasileira. É reconhecido por sábios artistas e adorado por simples espectadores. Seu nome é João Caetano, o teatro mais antigo do Rio de Janeiro. Este ano, o velho João completa 195 anos de muitas histórias.

A vinda da côrte portuguesa para o país exigiu inúmeras modernizações, incluindo a criação de um espaço destinado às artes dramáticas. Com o nome de Real Theatro São João, em homenagem à D. João VI, a casa foi inaugurada em 12 de outubro de 1813, com a peça “Juramento de Nunes”, do escritor português Gastão Fausto da Câmara Coutinho. Muitos afirmam que o novo teatro foi erguido com o material e a verba destinados à construção de uma catedral. Segundo os supersticiosos, os cinco incêndios que atingiram o local foram maldições e castigos divinos.

As telhas francesas, os vidros fumê, o piso de granito e as paredes de mármore branco em nada se assemelham com a estrutura erguida em 1813. Além dos incêndios, o teatro foi demolido em 1928, durante a reforma urbana do prefeito Pereira Passos, e foi reinaugurado em 1929. A última modificação da casa foi interna, em 1979. Hoje, a estrutura inclui seis camarins e 1.222 lugares, distribuídos em três pavimentos. O diretor do teatro, Paulo Roberto de Oliveira, orgulha-se do espaço atual. “Eu brinco que embaixo eu tenho um Carlos Gomes, no meio um Gláucio Gil e em cima um Villa-Lobos”.
Depois de mudar de nome duas vezes, também em 1979, o teatro passou a se chamar João Caetano, em homenagem ao ator que mudou a forma de fazer teatro no país. O carioca foi o primeiro a defender a simplicidade da interpretação e a fundar uma companhia de atores nacional. Além de atuar na casa de espetáculos, João Caetano também foi proprietário do local. Em 1916, uma estátua no tamanho real do ator foi instalada em frente ao prédio.

Desde sua primeira inauguração, o lugar foi palco grandes produções teatrais e manifestações políticas fervorosas. O diretor conta que, em 1822, D. Pedro I assistia a um espetáculo no teatro quando foi informado da revolta popular contra “O Dia do Fico”. “Quando foi avisado, D. Pedro fez uma reunião aqui dentro e se dirigiu a sacada para discursar aos manifestantes, que estavam na praça em frente. Tudo aconteceu aqui”, afirma. Já em 1935, o João Caetano foi cenário de um tumulto causado pelo militante do partido Comunista Brasileiro Carlos Lacerda, na leitura do Manifesto da Aliança Libertadora. Nestes 195 anos, o teatro recebeu muitos espetáculos e estrelas. Nomes como Eleonora Duse e Sarah Bernhardt, as grandes atrizes do século XIX; Carmem Miranda; Aracy Côrtes, a dama da Praça XV na década de 50; Bibi Ferreira; Paulo Autran; Chico Anysio; Fernanda Montenegro e Marília Pêra freqüentaram as coxias e camarins do velho João. Músicos como Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Elis Regina, Martinho da Vila, Chico Buarque e Roberto Carlos trouxeram seus talentos para o palco do João Caetano.
Atualmente, a casa de espetáculos é dirigida pela Fundação de Artes Anita Mantuano (FUNARJ), que está ligada à Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro. Para o professor de teatro do Colégio Notre Dame e ator formado pela Escola de Artes Dramáticas da USP (EAD), Henrique Kaladan, o palco do João Caetano é importante não só por sua história de sucesso, mas pela função social que cumpre. “Ele é um teatro popular, leva grandes espetáculos para aqueles que não têm condição de pagar caro por um ingresso. É uma democratização da cultura”.
A idade avançada do grande João parece não ser um obstáculo. Ainda lhe restam muitas personalidades a serem vividas, muitos artistas a serem recebidos e muitos histórias a serem contadas.

Teatro João Caetano
Praça Tiradentes s/n° – Centro
Telefone: 2221-2852

Publicado em: on 27 JunpmFri, 27 Jun 2008 19:06:39 +0000, 2008 at 11:43 pm06 Deixe um comentário

Banco de talentos

Não é surpresa afirmar que os cursos de comunicação abrigam pessoas de diferentes gostos e estilos. Na PUC-Rio isso não é diferente. Os pilotis, sempre lotados, são característicos desta diversidade. Mas no meio de tanta gente é possível encontrar algumas semelhanças. Muitos dos alunos de Comunicação dividem a vida acadêmica com a paixão por uma arte: o teatro. A maioria busca o curso para ter uma segunda opção de carreira devido às dificuldades encontradas no meio teatral.

Foi pensando em unir esta afinidade que a aluna do 5° período de Comunicação, Marina Provenzano, criou, no final do ano passado, o “Banco de atores da PUC”. O objetivo é cadastrar atores interessados em participar das produções do curso de Cinema. Marina, que também é atriz, afirma que o projeto pretende beneficiar não só os atores como os diretores dos filmes. “Eu via que o pessoal de Projeto de Filme (uma disciplina para os alunos de Cinema) ficava perdido e ia buscar pessoas na UNIRIO e na CAL. Nós temos tantos atores aqui na PUC que não tem essa necessidade”.

Segundo ela, um dos grandes problemas dos diretores é dificuldade de se chegar até um ator e que este se encaixe no perfil procurado. No “Banco” podem ser encontradas pessoas com diferentes perfis e estilos de interpretação.

Todos os alunos, ex-alunos e funcionários da PUC podem se candidatar ao projeto. Apesar de não exigir dos atores o registro profissional de ator, existe um pré-requisito para participar. É necessário ter tido alguma experiência em teatro, TV ou cinema. Além disso, todos os que se cadastrarem terão uma cena de um minuto e meio disponível no Portal PUC-Rio Digital (www.puc-rio.br/puc-riodigital), ainda sem data definida.

Hermes Frederico, professor de Comunicação da PUC-Rio e coordenador da Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), é o responsável pelo projeto e trabalha ao lado de Marina. Para ele, o “Banco de atores” vai ajudar na divulgação do trabalho destes artistas. “Eles serão vistos no Portal. Essa visibilidade permite a escolha para determinados papéis nas produções internas e quem sabe nas produções externas. Diretores de fora vão poder ver esses trabalhos”.

No ano passado, o “Banco de atores da PUC” recebeu 20 fichas de cadastro. Para Marina, a falta de divulgação foi responsável pela baixa procura. Era necessário deixar na Secretaria do Departamento de Comunicação um cadastro com o currículo e duas fotos, uma de rosto e outra de corpo inteiro. Agora, os interessados em se cadastrar devem procurá-la no CTAV (Centro Técnico e Audiovisual), que fica na sala 507 do prédio Kennedy.

O aluno do 7° período de Direito, Gustavo Estefen, é um dos atores cadastrados no “Banco”. Apesar de ainda não ter feito nada através desse cadastro, ele acredita que esta é uma oportunidade de ganhar experiência. “A teoria é muito importante, mas praticar é fundamental”, afirma.

Já a atriz e aluna do 4° período de Publicidade, Claudia Sardinha, também está cadastrada e já fez dois curtas universitários através do “Banco”, além de um teste para um vídeo institucional da universidade. Para ela, todos os atores da universidade deveriam se inscrever. “É uma oportunidade de trabalho. Um amigo da irmã faz cinema aqui e ele diz que sempre que precisa de atores, o meu material chega nas mãos dele. Isso é ótimo, significa que alguém está te vendo”.

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Um ator à espera da felicidade

Entrar para o teatro foi uma recomendação médica. O menino tímido precisava tratar de uma distração excessiva. A mãe, a cantora Olívia Byington, decidiu colocá-lo no Tablado, de onde ele nunca mais saiu. Hoje, aos 22 anos, Gregório Duvivier faz deste remédio a sua profissão e é considerado uma das novas caras do humor brasileiro.


Elenco de Z.É.

A carreira começou a despontar com a peça “Z.É – Zenas Emprovisadas”, que estreou em 2003 e teve sua décima terceira temporada em maio deste ano. Os fãs do espetáculo formado por Gregório e os amigos Marcelo Adnet, Fernando Caruso e Rafael Queiroga podem respirar aliviados, fará uma apresentação especial em agosto no Vivo Rio, para comemorar os cinco anos da estréia e depois entrará em cartaz no Teatro Oi Casa Grande em outubro. “O Z.É. é um projeto de vida. Estamos em recesso para voltar com força total”, afirma. O jovem ator tem orgulho do trabalho que realiza ao lado dos três amigos e se sente surpreso com o reconhecimento. “A idéia do Z.É. era exatamente fazer o que a gente mais gostava que era ter aula no Tablado, improvisar e brincar. Nunca pensei que isso pudesse agradar tanto as pessoas. É muito bom ver que esse prazer é recíproco. Se não fosse o Tablado eu com certeza não teria entrada para o teatro. E se não fosse o Z.É. eu com certeza não teria me tornado um profissional sabe. Se não fosse o Tablado eu com certeza não teria entrado para o teatro. E se não fosse o Z.É. eu não teria me tornado um profissional”. Em 2004, o grupo teve este reconhecimento reafirmado quando faturou o Prêmio Shell na categoria especial.


Elenco de “O Sistema”

Com o sucesso de Z.É., muitas portas se abriram para Gregório. Participou da série do canal HBO e integrou o elenco da série “O Sistema”, da TV Globo, onde viveu o estiloso Avenarius. Gregório foi o escolhido entre os 50 atores que fizeram o teste e trabalhou com um velho conhecido, o diretor José Lavigne. “Ele já tinha me dirigido no teatro quando eu tinha 15 anos e nos tornamos amigos. Foi uma experiência maravilhosa. Trabalhei com pessoas oriundas do teatro e que eu admiro muito, como o Selton Mello e a Graziella Moretto, que é uma das melhores comediantes do Brasil. Além disso, foi um programa completamente diferente do que se vê na Globo”.


Cartaz do filme “Podecrer”

O ator estreou no cinema em 2007 no filme “Podecrer”, que fala da vida de um grupo de amigos na década de 80. Depois desta experiência, integrou o elenco de “O Diário de Tati”, ao lado de Heloísa Périssé, que estréia este ano. Em janeiro, filmou nos pilotis da PUC o longa “Apenas o fim”, dirigido pelo aluno do 5° período de Cinema da PUC, Matheus Souza. O filme conta a história do casal Antônio (Gregório Duvivier) e Adriana, vivida pela atriz e aluna do 6º período de História Érika Mader. O ator já trabalhou com Érika em “Podecrer” e conheceu Matheus no Tablado. “Foi um trabalho maravilhoso de fazer. O Mateus é um cara muito inteligente. Ele escreveu u m longa sozinho, fez o roteiro, correu atrás de patrocínio e conseguiu, chamou uma galera para fazer todo mundo topou e o resultado foi um longa-metragem feito em menos de 15 dias, com um orçamento baixíssimo. E ele só tem 20 anos. É um exemplo para todo mundo que quer fazer cinema”. A que tudo indica, “Apenas o fim” vai estrear no este ano no Festival do Rio e depois entrará em circuito nacional. Recentemente participou de outros dois filmes que não tem data para estrear, “Á deriva”, de Heitor Dhalia e “Mulher Invisível”, de Claudio Torres.


Cartaz de “Apenas o fim”

Além de trabalhar como ator, Gregório cursa o 8° período de Letras na PUC-Rio. Para ele, a faculdade só complementou a carreira. Depois de formado, ele pretende fazer mestrado. “Eu achei que a faculdade de Letras ia me trazer algo a mais, algo que eu não estava tendo só com o teatro. E realmente foi muito bom. Aqui na PUC eu tive aulas maravilhosa, que me esclareceram muito, até como ator”. Gregório é um dos alunos que assinam o jornal de literatura e poesia “Plástico Bolha”.
Para Gregório, a falta de hábito de ir ao teatro é a principal dificuldade da profissão. Em todas as temporadas de Z.É., os integrantes incentivaram o público à assistir outras peças. “Ao mesmo tempo em que queremos formar o nosso público, a gente quer formar um público que vai ao teatro”.


Gregório Duvivier e Érika Mader

Em julho, Gregório estréia no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea, a comédia “Advocacia segundo os irmãos Marx”. Além do ator, os outros três integrantes de Z.É., Heloísa Périssé e Roberto Guilherme, mais conhecido como Sargento Pincel do programa dos Trapalhões. A direção é de Bernardo Jablonski.

Ao ser perguntado sobre os planos para o futuro, Gregório é enfático: “Quero estar feliz”.

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ENTRE O TEATRO E O JORNALISMO

Nathalia Fernandes, 20 anos, aluna do 4º período de jornalismo da PUC- Rio, nunca tinha pensado em fazer teatro. Com 12 anos, começou a fazer teatro no colégio, mas não gostou muito – de acordo com ela – por causa da professora. Poucos depois – exatos dois anos e depois de mudar o professor – acabou retornando. “As minhas amigas se animaram e eu também”, diz. Nascida e criada na Tijuca, hoje ela faz parte da companhia Pictrolitopia, e se divide entre duas atividades: o jornalismo e o teatro.

Quando começou o seu interesse por teatro?

Eu comecei a fazer teatro por acidente no colégio. Quando entrei no grupo tinham cinqüenta pessoas. Ficamos um ano só fazendo exercícios. Descobri que gostava daquilo. Permaneci no grupo e participei do festival inter colegial. Em 2005, fui convidada pelo diretor – que também era professor – para fazer parte da Pictrolitopia, companhia independente da qual ele participava. Como estudei em colégio católico, minha primeira peça foi sobre os índios – que era tema da campanha da fraternidade – e se chamava “Por uma terra sem males”. Fora do colégio, a primeira peça que fiz foi infantil. Chama-se “Nem Tudo Está Azul No País Azul” e está em cartaz até hoje, no “Solar de Botafogo”, com a mesma companhia.

Já quis ser atriz profissional?

Já, acho que até ano passado quando participei do teste do “Caldeirão do Huck”. Era para o “Casal Malhação” dessa temporada. Acabei não passando, eu sou muito crua em televisão. Na verdade, resolvi me dedicar realmente ao jornalismo. Acho que se eu fizesse as duas coisas, seria média. Prefiro me dedicar a uma para fazem bem.

Como que surgiu o jornalismo?

Sempre quis fazer, desde nova. Os meus pais me incentivaram muito. Na verdade acredito que eles preferem uma jornalista a uma atriz. Como teatro é uma profissão muito difícil de manter, sempre pensei em ter um plano B. O jornalismo é mais estável, e sempre gostei de ler e escrever.

Quantas peças você já fez?

No colégio, foram cinco. Entre elas teve “Os Fuzis da Senhora Carrar” do Brecht, em 2006. “Medéia” do Eurípedes em 2005. Profissionais foram três. Agora estou ensaiando a quarta. Todas eram infantis exceto essa, que se chama “Bailei na curva”. A companhia ganhou os prêmio de figurino, melhor atriz coadjuvante, melhor cenário e de melhor ator. Eu já fui indicada para melhor atriz por Medeia. Todos os prêmios e indicações foram do Festival Intercolegial, no colégio Notre Dame.

Quais os gêneros que você mais gosta?

Drama e tragédia, disparado. A maioria das peças que fiz foram trágicas. Sempre fui escalada para esses papéis. Na verdade eu nunca experimentei outros estilos, mesmo a comédia. Quando a peça era cômica a minha personagem não era. Também gosto muito de musical. O ator tem que ser versátil e não ser “ator de drama” ou “ator de comédia”, e por isso, se tivesse que trabalhar em teatro, gostaria de trabalhar em musicais. É o que exige mais versatilidade, o ator que faz musical é mais completo

Qual peça que você tem vontade de fazer?

“Ópera do Malandro”. É o meu texto preferido do Chico Buarque. Comecei a gostar dele por sua obra teatral. Já conhecia o texto, mas a peça me deixou encantada.

Qual a personalidade que você mais admira do teatro?

Ah, tem tantos. Mas não dá pra fugir o Zé Celso (José Celso Martinez Correa), tudo que ele faz é fantástico.

E a peça que vai entrar em cartaz?

A peça nova é um dos meus textos favoritos. Quando eu ainda estava no colégio nós tentamos montar, mas não deu. Fiquei frustrada. No ano passado, o diretor pensou em retomar o projeto. Acabou acontecendo. A temporada vai como o projeto escola, onde a gente leva a peça para as escolas e depois fazemos um debate sobre o espetáculo com os alunos, para ver se entenderam ou se têm perguntas. Ainda estamos fechando com os colégios. Os confirmados são o Notre Dame e o São José. A princípio, a estréia seria no teatro Ipanema, ainda estamos negociando o espaço. Como a companhia estreou com uma peça no “Solar de Botafogo”, a gente se enrolou um pouco. E a maioria das pessoas que fazem parte dessa companhia elas não vivem de teatro, elas têm seus projetos pessoais.

Publicado em: on 27 JunpmThu, 05 Jun 2008 15:32:05 +0000, 2008 at 11:43 pm06 Deixe um comentário