ENTRE O TEATRO E O JORNALISMO

Nathalia Fernandes, 20 anos, aluna do 4º período de jornalismo da PUC- Rio, nunca tinha pensado em fazer teatro. Com 12 anos, começou a fazer teatro no colégio, mas não gostou muito – de acordo com ela – por causa da professora. Poucos depois – exatos dois anos e depois de mudar o professor – acabou retornando. “As minhas amigas se animaram e eu também”, diz. Nascida e criada na Tijuca, hoje ela faz parte da companhia Pictrolitopia, e se divide entre duas atividades: o jornalismo e o teatro.

Quando começou o seu interesse por teatro?

Eu comecei a fazer teatro por acidente no colégio. Quando entrei no grupo tinham cinqüenta pessoas. Ficamos um ano só fazendo exercícios. Descobri que gostava daquilo. Permaneci no grupo e participei do festival inter colegial. Em 2005, fui convidada pelo diretor – que também era professor – para fazer parte da Pictrolitopia, companhia independente da qual ele participava. Como estudei em colégio católico, minha primeira peça foi sobre os índios – que era tema da campanha da fraternidade – e se chamava “Por uma terra sem males”. Fora do colégio, a primeira peça que fiz foi infantil. Chama-se “Nem Tudo Está Azul No País Azul” e está em cartaz até hoje, no “Solar de Botafogo”, com a mesma companhia.

Já quis ser atriz profissional?

Já, acho que até ano passado quando participei do teste do “Caldeirão do Huck”. Era para o “Casal Malhação” dessa temporada. Acabei não passando, eu sou muito crua em televisão. Na verdade, resolvi me dedicar realmente ao jornalismo. Acho que se eu fizesse as duas coisas, seria média. Prefiro me dedicar a uma para fazem bem.

Como que surgiu o jornalismo?

Sempre quis fazer, desde nova. Os meus pais me incentivaram muito. Na verdade acredito que eles preferem uma jornalista a uma atriz. Como teatro é uma profissão muito difícil de manter, sempre pensei em ter um plano B. O jornalismo é mais estável, e sempre gostei de ler e escrever.

Quantas peças você já fez?

No colégio, foram cinco. Entre elas teve “Os Fuzis da Senhora Carrar” do Brecht, em 2006. “Medéia” do Eurípedes em 2005. Profissionais foram três. Agora estou ensaiando a quarta. Todas eram infantis exceto essa, que se chama “Bailei na curva”. A companhia ganhou os prêmio de figurino, melhor atriz coadjuvante, melhor cenário e de melhor ator. Eu já fui indicada para melhor atriz por Medeia. Todos os prêmios e indicações foram do Festival Intercolegial, no colégio Notre Dame.

Quais os gêneros que você mais gosta?

Drama e tragédia, disparado. A maioria das peças que fiz foram trágicas. Sempre fui escalada para esses papéis. Na verdade eu nunca experimentei outros estilos, mesmo a comédia. Quando a peça era cômica a minha personagem não era. Também gosto muito de musical. O ator tem que ser versátil e não ser “ator de drama” ou “ator de comédia”, e por isso, se tivesse que trabalhar em teatro, gostaria de trabalhar em musicais. É o que exige mais versatilidade, o ator que faz musical é mais completo

Qual peça que você tem vontade de fazer?

“Ópera do Malandro”. É o meu texto preferido do Chico Buarque. Comecei a gostar dele por sua obra teatral. Já conhecia o texto, mas a peça me deixou encantada.

Qual a personalidade que você mais admira do teatro?

Ah, tem tantos. Mas não dá pra fugir o Zé Celso (José Celso Martinez Correa), tudo que ele faz é fantástico.

E a peça que vai entrar em cartaz?

A peça nova é um dos meus textos favoritos. Quando eu ainda estava no colégio nós tentamos montar, mas não deu. Fiquei frustrada. No ano passado, o diretor pensou em retomar o projeto. Acabou acontecendo. A temporada vai como o projeto escola, onde a gente leva a peça para as escolas e depois fazemos um debate sobre o espetáculo com os alunos, para ver se entenderam ou se têm perguntas. Ainda estamos fechando com os colégios. Os confirmados são o Notre Dame e o São José. A princípio, a estréia seria no teatro Ipanema, ainda estamos negociando o espaço. Como a companhia estreou com uma peça no “Solar de Botafogo”, a gente se enrolou um pouco. E a maioria das pessoas que fazem parte dessa companhia elas não vivem de teatro, elas têm seus projetos pessoais.

Publicado em: on 27 JunpmThu, 05 Jun 2008 15:32:05 +0000, 2008 at 11:43 pm06 Deixe um comentário

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