Um ator à espera da felicidade

Entrar para o teatro foi uma recomendação médica. O menino tímido precisava tratar de uma distração excessiva. A mãe, a cantora Olívia Byington, decidiu colocá-lo no Tablado, de onde ele nunca mais saiu. Hoje, aos 22 anos, Gregório Duvivier faz deste remédio a sua profissão e é considerado uma das novas caras do humor brasileiro.


Elenco de Z.É.

A carreira começou a despontar com a peça “Z.É – Zenas Emprovisadas”, que estreou em 2003 e teve sua décima terceira temporada em maio deste ano. Os fãs do espetáculo formado por Gregório e os amigos Marcelo Adnet, Fernando Caruso e Rafael Queiroga podem respirar aliviados, fará uma apresentação especial em agosto no Vivo Rio, para comemorar os cinco anos da estréia e depois entrará em cartaz no Teatro Oi Casa Grande em outubro. “O Z.É. é um projeto de vida. Estamos em recesso para voltar com força total”, afirma. O jovem ator tem orgulho do trabalho que realiza ao lado dos três amigos e se sente surpreso com o reconhecimento. “A idéia do Z.É. era exatamente fazer o que a gente mais gostava que era ter aula no Tablado, improvisar e brincar. Nunca pensei que isso pudesse agradar tanto as pessoas. É muito bom ver que esse prazer é recíproco. Se não fosse o Tablado eu com certeza não teria entrada para o teatro. E se não fosse o Z.É. eu com certeza não teria me tornado um profissional sabe. Se não fosse o Tablado eu com certeza não teria entrado para o teatro. E se não fosse o Z.É. eu não teria me tornado um profissional”. Em 2004, o grupo teve este reconhecimento reafirmado quando faturou o Prêmio Shell na categoria especial.


Elenco de “O Sistema”

Com o sucesso de Z.É., muitas portas se abriram para Gregório. Participou da série do canal HBO e integrou o elenco da série “O Sistema”, da TV Globo, onde viveu o estiloso Avenarius. Gregório foi o escolhido entre os 50 atores que fizeram o teste e trabalhou com um velho conhecido, o diretor José Lavigne. “Ele já tinha me dirigido no teatro quando eu tinha 15 anos e nos tornamos amigos. Foi uma experiência maravilhosa. Trabalhei com pessoas oriundas do teatro e que eu admiro muito, como o Selton Mello e a Graziella Moretto, que é uma das melhores comediantes do Brasil. Além disso, foi um programa completamente diferente do que se vê na Globo”.


Cartaz do filme “Podecrer”

O ator estreou no cinema em 2007 no filme “Podecrer”, que fala da vida de um grupo de amigos na década de 80. Depois desta experiência, integrou o elenco de “O Diário de Tati”, ao lado de Heloísa Périssé, que estréia este ano. Em janeiro, filmou nos pilotis da PUC o longa “Apenas o fim”, dirigido pelo aluno do 5° período de Cinema da PUC, Matheus Souza. O filme conta a história do casal Antônio (Gregório Duvivier) e Adriana, vivida pela atriz e aluna do 6º período de História Érika Mader. O ator já trabalhou com Érika em “Podecrer” e conheceu Matheus no Tablado. “Foi um trabalho maravilhoso de fazer. O Mateus é um cara muito inteligente. Ele escreveu u m longa sozinho, fez o roteiro, correu atrás de patrocínio e conseguiu, chamou uma galera para fazer todo mundo topou e o resultado foi um longa-metragem feito em menos de 15 dias, com um orçamento baixíssimo. E ele só tem 20 anos. É um exemplo para todo mundo que quer fazer cinema”. A que tudo indica, “Apenas o fim” vai estrear no este ano no Festival do Rio e depois entrará em circuito nacional. Recentemente participou de outros dois filmes que não tem data para estrear, “Á deriva”, de Heitor Dhalia e “Mulher Invisível”, de Claudio Torres.


Cartaz de “Apenas o fim”

Além de trabalhar como ator, Gregório cursa o 8° período de Letras na PUC-Rio. Para ele, a faculdade só complementou a carreira. Depois de formado, ele pretende fazer mestrado. “Eu achei que a faculdade de Letras ia me trazer algo a mais, algo que eu não estava tendo só com o teatro. E realmente foi muito bom. Aqui na PUC eu tive aulas maravilhosa, que me esclareceram muito, até como ator”. Gregório é um dos alunos que assinam o jornal de literatura e poesia “Plástico Bolha”.
Para Gregório, a falta de hábito de ir ao teatro é a principal dificuldade da profissão. Em todas as temporadas de Z.É., os integrantes incentivaram o público à assistir outras peças. “Ao mesmo tempo em que queremos formar o nosso público, a gente quer formar um público que vai ao teatro”.


Gregório Duvivier e Érika Mader

Em julho, Gregório estréia no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea, a comédia “Advocacia segundo os irmãos Marx”. Além do ator, os outros três integrantes de Z.É., Heloísa Périssé e Roberto Guilherme, mais conhecido como Sargento Pincel do programa dos Trapalhões. A direção é de Bernardo Jablonski.

Ao ser perguntado sobre os planos para o futuro, Gregório é enfático: “Quero estar feliz”.

Publicado em: on 27 JunpmFri, 27 Jun 2008 18:44:49 +0000, 2008 at 11:43 pm06 Deixe um comentário

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